“Fiz grandes amigos e grandes passeios. Em todos eles não imaginei chegar ao final.” 

Nossa segunda convidada a contar SUA HISTÓRIA NO PEDAL é Mônica Bernardo, a Monka.  Esperamos que curtam. 😉

Bem, lá vamos aos fatos.
Venho de uma família onde somos em oito filhos. Sou a segunda.
Acho que não preciso dizer das dificuldades que eram naquela época para se criar e dar aos filhos qualquer presente. Lembro-me que recebíamos presentes somente no Natal. E não eram bicicletas… risos…
Brincávamos subindo em árvores, andando à cavalo, fazendo nossos brinquedos com as latinhas de leite ninho, com restos de linhas que mamãe usava para costurar nossas roupas…
Como podem observar, não tínhamos bike para brincar.
Mudamos do sitio e fomos para a cidade São José do Rio Preto. Já estava com meus 10 anos e, na rua onde morávamos, haviam crianças com suas Caloi 10 subindo e descendo as ruas do bairro. Conheci alguns amiguinhos que me deixaram andar e participar das brincadeiras. Não me lembro de tombos, pois quando subi na bike pela primeira vez, parecia que já andava há anos.
Depois fomos para nossa atual cidade, Três Fronteiras, que fica na divisa de Mato Grosso do Sul com o Estado de São Paulo, onde os moradores usam as bicicletas como locomoção.
Já estava com meus 13 anos e assumi a casa, pois mamãe tinha que trabalhar para dar sustento aos oito filhos. Entre uma arrumação e a escola, achávamos um tempinho para dar voltas de bike com a magrela empresta do vizinho. Isso, lógico, sem que papai soubesse. Porque era cinta na certa.

Aos 14 anos, lembro-me de uma vez que peguei uma bike em frente da minha casa para dar uma voltinha rápida na rua – a pessoa que me emprestou estava com pressa. Resolvi pegar uma descida e, quando percebi, a bike não tinha freios. Já devem imaginar o que houve … Fui brecar com o pé no pneu, enganchou e tabaquei, ficando desacordada por alguns minutos.

Acabei com a brincadeira com alguns pontos no calcanhar e a mão direita quebrada. Nem precisa dizer o que houve: papai bravíssimo.
Acabei vindo embora para a cidade de São José do Rio Preto a trabalho e nunca mais andei de magrela. Cheguei a ganhar uma bike em uma rifa, mas ficou pendurada no condomínio até que roubaram sem ser usada por mim. Nessa época, eu já estava com meus quase 30 anos e morando no ABC.
A retomada
Fui convidada pelas manas para participar de um evento, um pedal voluntário, em fevereiro de 2013. Tínhamos as bikes delas em casa, mas ninguém usava com medo de sair às ruas, sem conhecimento algum de como fazer nesta selva de pedra.
Foi quando comecei novamente a querer andar com os grupos. Porém, sabia que precisava ter mais conhecimentos e treinos para tal.
Comecei andar nas ciclo faixas com um amigo. Poucas vezes, mas fomos. Percebi que não tinha perdido o jeito, pois quando gostamos não esquecemos.
Daí veio o convite para participar de um projeto de treinos para chegar a Santos pedalando.
A mana caçula insistiu que fizéssemos os treinos porque ela queria ir. Mas eu sem bike – e sem grana para comprar uma no momento –, não tinha como.
Além disso, havia passado há pouco por uma situação complicada de saúde: inflamações dos tendões, supra e infra espinhal, flexores da mãos direita e tudo mais. Estava afastada havia mais de três anos do trabalho e temerosa se iria dar conta, pois o esforço poderia piorar minha saúde.
Pois bem, insistiram, acabei ganhando a inscrição do evento de presente de niver da mana e fomos aos treinos.
Foi quando conheci o Instituto Cicloativo e tive a oportunidade de conhecer um casal fantástico – Carol e Giovani – que me emprestou a “pimentinha”, a bike que uso ainda hoje. Agradeço de todo meu coração por terem confiado a sua guarda e cuidados a mim.
 As risadas, os amigos, as paisagens maravilhosas e até as chamadas de atenção dos guias mandando ir mais rapido....risos... Enfim, tudo foi muito maravilhoso.

“As risadas, os amigos, as paisagens maravilhosas e até as chamadas de atenção dos guias mandando ir mais rapido….risos… Enfim, tudo foi muito maravilhoso.”

Meus medos eram de não conseguir chegar ao final dos treinos devido ao problema das inflamações. Como aconteceu em nossa ida para São Roque, quando, faltando apenas 10 km para o término do treino, não consegui mais seguir de bike e tive que ir de carro com meu querido amigo Mauro.
Como perdi parcialmente os movimentos de elevação e força do membro superior direito, meu maior medo era (e ainda é) perder o equilíbrio, cair e acabar fazendo com que outros parceiros de pedal acabassem se machucando.
Monka Bernardo. Estrada Velha de Santos.

Monka Bernardo. Estrada Velha de Santos.

Chegamos ao grande dia
Foram 110 km de emoções e ventos que pareciam que iam derrubar todos montanha abaixo. Mas o grupo estava com tanta expectativa de chegar ao fim, que não tinha cansaço, não tinha dor, não tinha vento que tirasse a animação e a beleza de estar com aquele grupo comprometido em terminar nosso desafio.
 As risadas, os amigos, as paisagens maravilhosas e até as chamadas de atenção dos guias mandando ir mais rapido….risos… Enfim, tudo foi muito maravilhoso.
Estrada Velha de Santos.

Estrada Velha de Santos.

Fiz grandes amigos e grandes passeios. Em todos não imaginei chegar ao final. Mas a euforia era tão grande, que mesmo a dor já não incomodava mais.
Agradeço a cada um dos amigos do Instituto por ter mantido nosso grupo, pois não foi só o desafio que nos uniu, mas as afinidades com os amigos que fizemos.
E é por isso, apesar das dores que preciso me acostumar, que sempre que posso, estou pedalando com os amigos do Instituto Cicloativo.
Monica Bernardo

2 Comments on ““Fiz grandes amigos e grandes passeios. Em todos eles não imaginei chegar ao final.” 

  1. Foi muito bom te-la conhecido e ter voce como grande companheira e amiga de grandes resgates. Bjs Monka.

  2. Parabéns pelo relato Monka.
    Você foi mesmo uma das guerreiras do desafio.
    Me lembro bem já que no final estávamos no mesmo grupo.
    E enquanto estávamos parados na Cada de Pedra, sua dica do “Lenço Umedecido” para tirar a graxa das mãos foi ótima (risos).
    É sempre ótimo pedalar ao seu lado. Risadas garantidas.
    Parabéns

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