“Uma grande virada na forma de ver o mundo e se relacionar com as pessoas. É assim vejo a inserção da bike na minha vida.”

Nosso terceiro convidado a contar SUA HISTÓRIA NO PEDAL é Antonio Carlos de Moura Lima, o ACM.Curtam essa história de superação e persistência. 😉


Tenho 45 anos, formado em psicologia e somente agora estou ingressando na área. Por 20 anos trabalhei na área de eventos sociais e corporativos, realizando a sonorização, iluminação e instalação de estruturas especiais para projeção em telões e decorações.

Trabalhava de segunda a segunda e nos finais de semana praticamente sem dormir; não tinha tempo para a vida social, somente para o trabalho. Com o crescimento da empresa e da demanda minha esposa, Silvana, passou a trabalhar comigo e também passou a viver uma rotina exaustiva. Em 2012 já estávamos atentos com os prejuízos na qualidade de vida e a prosperidade da empresa trazia e começamos a pensar como mudar o rumo no futuro, pois sabíamos que com mais idade não daríamos conta daquela rotina. Precisávamos abrir espaço na agenda para podermos nos dedicar a estudos e planejamento de outras atividades, mas não havia como.

Esta experiência traumática nos fez perceber como a vida é frágil, curta e então demos início à mudança.

Num domingo de carnaval, após um belo churrasco, algo que gostamos muito de fazer e partilhar com amigos, a Silvana teve um AVC (acidente vascular cerebral). Corremos para o hospital, onde a Silvana ficou por 8 dias, sendo 5 na UTI e, após a alta, realizou os tratamentos com fisioterapia e fono ficando totalmente recuperada.

Esta experiência traumática nos fez perceber como a vida é frágil, curta e então demos início à mudança. Vendemos os equipamentos da empresa e passei a investir exclusivamente no trabalho de mestre de cerimônias e celebrante de casamentos, algo que me exige bem menos tempo e nos possibilitou dedicarmos à outras atividades.

Nestas novas atividades, incluí a bike, pois tinha a preocupação com a saúde.
20121125 Ciclofaixa (10)

De São Caetano a São Paulo pela ciclofaixa de lazer: ” O ‘vírus’ do pedal me pegou.”

Comecei a pedalar pela minha cidade; aqui em São Caetano do Sul, que com 20km pedalados você já deu a volta na cidade inteira. Fui aumentando os percursos passando a pedalar na ciclofaixa de lazer em São Paulo e até este momento, sozinho.

Procurando por grupos de pedal e viagens de bike, encontrei um projeto que treinava ciclistas iniciantes com objetivo de pedalar até a praia pela Rota Márcia Prado (rota que liga São Paulo a Santos e que recebeu este nome em homenagem a ciclista que realizava este percurso e foi morta em atropelamento na Avenida Paulista).

O treinamento consistia em treinos durante a semana e viagens aos domingos, sendo a distância e dificuldade aumentadas a cada semana. Realizei os treinamentos e cumpri o desafio de chegar a praia pedalando, meus primeiros 100km pedalados.

“somos todos iguais e não importa a classe social, cor, gênero ou outro preconceito qualquer, o que vale é o que podemos dividir de alegrias, conhecimentos e emoções por estar curtindo um dia de sol ou de chuva.”

A partir daí o “vírus” do pedal me pegou e passei a realizar viagens com freqüência, umas sozinhos e muitas na companhia de pessoas muito bacanas. Fiz várias amizades com pessoas que partilham da alegria de estar curtindo a vida de forma saudável, aproveitando cada momento do passeio, cujo principal objetivo, não é a competição, mas superar os próprios limites e cada um respeitando o outro. Uma característica que percebo nas pessoas com que já compartilhei pedais e que quero ressaltar é a visão do outro como um humano, uma pessoa; somos todos iguais e não importa a classe social, cor, gênero ou outro preconceito qualquer, o que vale é o que podemos dividir de alegrias, conhecimentos e emoções por estar curtindo um dia de sol ou de chuva.

Falando de desafios, cada ciclista tem o seu.

Uns com o tempo outros com a distância ou os dois juntos. Eu me dedico a vencer distâncias: já fui para Itu, São Roque, Holambra, Aparecida e por 3 vezes tentei chegar em Campos do Jordão. E vale aqui dividir minhas experiências adquiridas na tentativa de superar este desafio, que continua em pé.

A primeira vez fui sem muita programação, pouco treino e sozinho, mas o principal problema foi comprar uma calça nova para a viagem. Havia um defeito na costura próximo à virilha que me resultou numa assadura que me impediu de continuar e então… pedal abortado em Tremembé e resgate garantido pela Silvana.

Na segunda vez, treino em dia, uma galera show para pedalar, porém vacilei na comida, muitas barrinhas e quase nada de sal, pedal abortado faltando dois km para o final da serra e novo resgate da Sil. Neste dia estávamos em 9 pessoas e somente os bravos Pablo e Shinohara venceram o desafio.

Na terceira vez, tudo certo. Estava bem treinado, havia brevetado 200km no Audax em Brotas, adquirido várias lições de alimentação com meu sobrinho corredor Mateus e com o Jorge, equipamentos de segurança individual e bike revisada, a noite de 14/08/2015 estava perfeita para um lindo e esperado pedal, mas… Não sei até agora se por bobeira minha ou por imprudência do motorista, o pedal foi interrompido por um trágico acidente. Fui atropelado na Rodovida Ayrton Senna quando cruzava a saída para Itaquaquecetuba.

Não sei até agora se por bobeira minha ou por imprudência do motorista, o pedal foi interrompido por um trágico acidente.

Não sei até agora se por bobeira minha ou por imprudência do motorista.

Recebi todos os cuidados do SAMU e uma atenção especial do Jorge e do Well que estavam comigo neste desafio – aproveito aqui para agradecê-los mais uma vez, por serem cuidadosos ao dar a notícia aos meus familiares e passarem a noite no hospital.

Os danos pessoais: um úmero fraturado, três dedos luxados, LCA com rompimento parcial e menisco lesionado. Fui operado para colocação de placa em ponte e fiz várias fisioterapias.

Depois de 6 meses estava de volta e claro, com uma bike nova.
jundiai

Rota das Fazendas em Jundiaí. Retorno, carinho e belas montanhas.

Para testar a recuperação fui com a galera do Cicloativo para a Rota das Fazendas em Jundiaí, pedal que certamente entrou para a minha história, não somente por ser o primeiro pedal após o acidente, mas por todo carinho que recebi da galera e por poder curtir um visual lindo das montanhas de Jundiaí.

“Quero destacar a importância com a segurança. Somos a parte mais fraca e então devemos ter o máximo de atenção.”

Com este relato final, quero destacar a importância com a segurança, eu estava de capacete, que deu perda total, estava bem sinalizado com colete refletivo, luzes traseiras na bike e no capacete, mas posso ter descuidado na hora de atravessar a saída. Digo posso, pois não me lembro de nada desde o dia anterior até a manhã do dia seguinte.

Aparecida 02

“Longão do Luizão” para Aparecida: a cada passagem pelos acessos e saída a atenção estava redobrada.

Pedalamos em muitos lugares e mesmo quando estamos com a razão, com a lei ao nosso lado, somos a parte mais fraca e então devemos ter o máximo de atenção. Percebi minha mudança de atitude em rodovias no “Longão do Luizão” – pedal para Aparecida, que realizamos em 17/04/2016. A cada passagem pelos acessos e saída a atenção estava redobrada comigo e com meus amigos do pedal.

Na cidade não é diferente, nos cruzamentos, nas avenidas e mesmo na ciclovia, devemos estar atentos e sermos responsáveis cuidando de nossas vidas, dos pedestres e respeitando os motoristas de veículos, compartilhando o espaço em busca de uma harmonia, que um dia não existia e hoje é uma grande possibilidade.

Boas pedaladas a todos.

Antonio Carlos de Moura Lima

4 Comments on ““Uma grande virada na forma de ver o mundo e se relacionar com as pessoas. É assim vejo a inserção da bike na minha vida.”

  1. Bela narrativa. Lindíssima opção de vida. Aproveite bem esta segunda chance que Deus te permitiu e continue transmitindo esta alegria e disposição que contagia a todos. Obrigada por nossa amizade!

  2. A noite do acidente foi a segunda pior noite da minha vida, mas graças a Deus deu tudo certo e AC está de volta ao mundo dos vivos, firme e forte!!!

  3. Muito bom saber da história do ACM! Agora sei um pouco mais sobre ele.
    Eu não lembro de tê-lo conhecido antes, só sei que ele foi o nosso primeiro cliente na cafeteria do Vento a Favor!
    Histórias como estas, mostram o que uma bike pode fazer com a gente. Mudamos a forma de pensar e agir, enxergamos o meio em que estamos de outra forma.
    Nos envolvemos com pessoas maravilhosas e a amizade se fortalece!
    Parabéns pela sua história Antônio Carlos.

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